setembro 2026

Promoção e desconto ainda funcionam na moda? O que dizem os dados

Giovanna Skonieczny

Promoção e desconto ainda funcionam na moda O que dizem os dados

Promoção e desconto ainda vendem moda. Afinal, eles reduzem a resistência ao preço, criam urgência e geram picos rápidos de demanda, sobretudo em datas como a Black Friday. No entanto, o desconto resolve apenas uma parte da decisão de compra: o preço.

Ou seja, ele não mostra se o produto é certo para o cliente, como a peça vai vestir ou qual tamanho escolher. Quando essas dúvidas continuam sem resposta, mais pedidos também podem significar mais trocas, custos maiores e menos receita retida.

Por isso, a pergunta real não é se promoção e desconto funcionam. Na verdade, a questão é o que acontece depois que o desconto cumpre o seu papel.

O consumidor de moda está mais sensível a preço?

Sim, mas essa sensibilidade está cada vez mais estratégica.

Moda e vestuário estão entre as categorias em que promoção e desconto pesam mais na decisão de compra. Segundo a pesquisa Consumo de Moda no Brasil, do Opinion Box, promoções e descontos são citados por 66% dos consumidores na escolha da loja. Esse critério fica atrás apenas de preço (74%) e qualidade (70%). Além disso, 41% de quem compra moda online aponta cupons e promoções como motivo para comprar pela internet.

A disposição para trocar de marca também é alta. Segundo pesquisa do iFood Ads com o Opinion Box, 68% dos brasileiros trocam de marca diante de uma opção melhor ou mais barata. Do mesmo modo, 83% estão dispostos a experimentar marcas novas diante de uma boa oferta.

Ao mesmo tempo, os consumidores estão se acostumando a esperar pelas promoções. O relatório Shopper Sentiment 2026 da RetailNext ouviu 1.053 consumidores nos Estados Unidos. Segundo o estudo, 37,7% compram principalmente durante grandes promoções. Além disso, 33,9% deixariam de comprar em uma loja por preços injustos ou imprevisíveis. Esse motivo pesa mais do que baixa qualidade ou atendimento ruim.

Isso cria uma distinção importante. Em outras palavras, a sensibilidade a preço é real, mas é mais criteriosa do que comprar qualquer item em oferta. Segundo o State of Fashion 2026, da McKinsey e do BoF, os consumidores estão repensando gastos e buscando valor. Assim, o preço importa, mas é avaliado junto com qualidade e experiência.

Para o varejo de moda, portanto, a promoção deixa o produto mais atraente. Mas ela não torna uma página confusa mais clara nem um caimento incerto mais previsível.

Vale a pena fazer promoção e desconto no e-commerce de moda?

Vale a pena fazer promoção e desconto no e-commerce de moda

Sim, desde que a ação tenha um objetivo claro. Quando usadas com estratégia, as promoções resolvem problemas comerciais reais.

Para a maioria das operações de moda, porém, o objetivo não é simplesmente vender mais barato. Em geral, cada promoção tem uma função específica:

Objetivo da promoçãoO que o desconto pode resolver
AquisiçãoReduzir a barreira para a primeira compra
Giro de estoqueEscoar peças paradas antes que percam mais valor
Troca de coleçãoLiberar espaço das coleções anteriores para as novidades
Recuperação de demandaReativar vendas em uma categoria ou período mais fraco
Grandes datas do varejoCompetir em momentos como a Black Friday

Por outro lado, uma promoção relâmpago é especialmente útil quando o varejista precisa concentrar a demanda em pouco tempo. Por exemplo, uma liquidação de casacos no fim do inverno ajuda a transformar estoque parado em caixa. Ao mesmo tempo, ela abre espaço para a nova coleção. 

Além disso, o prazo curto adiciona urgência a um desconto que, sozinho, teria menos impacto.

Nesse caso, a promoção tem um propósito claro. O problema começa, no entanto, quando se espera que o desconto resolva algo que o preço não resolve.

Por exemplo, se o cliente abandona o carrinho porque não entende o caimento, baixar o preço não elimina essa dúvida. Da mesma forma, se ele devolve porque o tamanho não serviu, um desconto maior não faz a peça vestir melhor.

É nesse ponto que a estratégia de promoção e desconto deixa de ser apenas uma questão de vendas e passa a afetar a rentabilidade.

Promoção demais desvaloriza a marca?

Pode desvalorizar, principalmente quando as promoções deixam de ser pontuais e viram rotina.

Quando promoção e desconto se tornam a resposta padrão para vendas fracas, um ciclo conhecido começa. Primeiro, as vendas estagnam e a equipe lança uma promoção. Em seguida, os pedidos se recuperam por algum tempo. Mas, quando esse efeito passa, outra promoção se torna necessária, muitas vezes com um desconto ainda maior.

Com o tempo, a promoção deixa de ser uma ferramenta comercial pontual e vira parte esperada da jornada do cliente. O relatório Shopper Sentiment 2026 da RetailNext alerta justamente para esse efeito. Segundo o estudo, calendários promocionais moldam o comportamento de compra. 

Assim, quanto mais o varejista depende de datas de desconto, mais os clientes adiam a compra até a próxima oferta.

Contudo, o maior problema pode ser aquilo que o desconto esconde.

Quando as vendas travam, o preço nem sempre é a causa. Muitas vezes, a origem está na qualidade do produto ou em informações imprecisas. Também pode estar em uma grade de tamanhos inconsistente ou em uma página sem respostas sobre caimento. Um preço menor facilita a primeira compra apesar desses problemas, mas não os corrige.

E, se essa primeira compra volta porque a peça não serviu, o desconto não conquistou um cliente. Na prática, ele pagou por uma devolução.

Promoção e desconto aumentam as trocas e devoluções?

Podem aumentar, sobretudo quando a promoção atrai mais clientes de primeira compra. O risco também cresce quando ela estimula novas categorias ou entende que pedir vários tamanhos é uma decisão de baixo risco.

Isso não significa que toda promoção gere automaticamente mais devoluções. Na verdade, períodos promocionais criam condições em que a dúvida sobre o caimento pesa mais. Afinal, mais clientes decidem rápido e em maior volume.

Esse ponto é ainda mais relevante no vestuário.

O relatório Da Compra à Confiança, da Confi com o E-commerce Brasil, analisou transações de mais de sete mil lojas. Segundo o estudo, a categoria Moda registra entre 12% e 18% de trocas e devoluções. Em calçados, o índice vai de 16% a 20%, enquanto em Moda Fitness fica entre 15% e 18%. Além disso, problemas de tamanho respondem por 55% dos motivos de troca e devolução.

O problema, porém, vai além do tamanho. No mesmo estudo, o arrependimento aparece em 15% dos casos, e a expectativa não atendida, em 8%. Ou seja, parte das devoluções nasce da diferença entre o que o cliente imaginou e o que recebeu.

Em conjunto, esses números apontam para uma questão mais ampla. Quanto mais rápido uma promoção gera demanda, mais importante é garantir que o cliente tenha informação suficiente para comprar certo.

Quanto as trocas e devoluções custam para uma promoção?

É aqui que a conta da promoção fica mais clara.

Imagine que uma marca venda 1.000 peças de R$ 200 com 30% de desconto. Se cada peça custa R$ 90, cada venda concluída gera R$ 50 de margem bruta. Assim, a campanha produz R$ 50.000 antes das devoluções e dos custos associados.

Agora, considere uma taxa de devolução de 15%, dentro da faixa de 12% a 18% registrada em moda no Brasil. Nesse cenário, 150 peças voltam e levam embora R$ 7.500 de margem.

Além disso, se a marca gasta R$ 30 por devolução com frete reverso, manuseio e processamento, soma mais R$ 4.500 em custos.

O resultado é uma margem de cerca de R$ 38.000, ou seja, 24% menor do que os R$ 50.000 iniciais. E isso antes de contar peças danificadas, remarcações ou estoque mais difícil de revender.

A lição, portanto, não é que promoções dão prejuízo. Na verdade, a receita gerada no checkout não é igual ao lucro que sobra depois do prazo de troca. No Brasil, esse prazo inclui o direito de arrependimento de sete dias, previsto no artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor.

Quando as devoluções entram na conta, a pergunta muda. Em vez de “Quantos pedidos a promoção gerou?”, ela passa a ser “Quanto valor esses pedidos realmente retiveram?”

Relacionado: Incerteza de tamanho: quanto ela realmente custa para sua loja de moda

O que o cliente de moda precisa saber antes de comprar online?

Para responder a essa pergunta, vale olhar para o que o cliente tenta resolver antes de comprar. No mínimo, ele precisa entender:

  • O que exatamente é este produto?
  • Como ele vai ficar em mim?
  • Qual tamanho devo escolher?

Um desconto não responde a nenhuma dessas perguntas. Afinal, o cliente pode ter certeza sobre o preço e ainda assim ter dúvidas sobre a compra. Durante uma promoção relâmpago, essa lacuna fica ainda mais relevante. Isso porque a mecânica promocional foi feita para encurtar o tempo entre a consideração e o checkout.

Além disso, ela afeta justamente os clientes que mais precisam de ajuda. Quem compra pela primeira vez precisa entender como a marca veste. Da mesma forma, quem experimenta uma nova categoria precisa de mais informação sobre o produto. Já quem está entre dois tamanhos precisa de um motivo para confiar em um deles. Se a página não oferece essas respostas, a promoção apenas ajuda o cliente a chutar mais rápido.

Portanto, a solução não é parar de dar desconto. Em vez disso, o varejista pode tornar a decisão mais informada no momento em que o tráfego promocional chega à página de produto. Para isso, vale atuar em três frentes.

1. Informações do produto

Descrições claras, detalhes precisos de tecido e modelagem, medidas da modelo e boas imagens ajudam o cliente a entender o que está comprando.

Esse cuidado é ainda mais importante porque, como mostram os dados de expectativa não atendida, informações incorretas ou incompletas contribuem diretamente para as devoluções.

2. Segurança visual

As fotos mostram como a peça é, mas o cliente ainda pode se perguntar como ela vai ficar no próprio corpo. Isso pesa ainda mais em silhuetas, categorias ou modelagens pouco familiares.

Para varejistas que usam experimentação visual, o Try-On da Sizebay permite que o cliente visualize como a peça pode ficar nele antes de comprar.

3. Segurança no tamanho

Aqui está uma limitação estrutural do e-commerce de moda.

O cliente não consegue provar a roupa antes de comprar. Além disso, uma tabela de medidas genérica mostra números, mas nem sempre indica o tamanho mais adequado para aquele corpo e aquele produto. Como resultado, o cliente muitas vezes precisa interpretar a informação e decidir sozinho.

A Sizebay atua nessa etapa da jornada com a recomendação de tamanho personalizada. A tecnologia combina os dados do cliente com as medidas das peças da marca para recomendar um tamanho para cada produto. Dessa forma, uma dúvida sobre tamanho vira uma decisão de compra mais segura.

As duas experiências resolvem incertezas diferentes. Enquanto a recomendação de tamanho responde “Vai servir?”, a experimentação visual responde “Como vai ficar em mim?”.

Relacionado: Provadores virtuais no e-commerce de moda

Provador virtual e recomendação de tamanho aumentam a conversão?

É nesse ponto que a orientação personalizada de tamanho ganha relevância.

Uma ferramenta de recomendação de tamanho usa as informações do corpo do cliente e os dados de medidas do produto. Com isso, ela indica o tamanho mais adequado para aquela peça específica. Em vez de comparar suas medidas com uma tabela genérica, o cliente recebe uma recomendação personalizada no momento da decisão.

O impacto comercial pode ser visto em cases como o da METRO BRAZIL.

Case METRO BRAZIL: conversão mais de 10 vezes maior

A marca especializada em modeladores começou a usar o provador virtual da Sizebay em 2026. A decisão veio depois que ela identificou o tamanho como uma das principais causas de trocas e devoluções. Além disso, a marca percebeu que suas tabelas de medidas estáticas não bastavam para orientar os clientes.

Após a implementação, as sessões em que os clientes usaram a ferramenta converteram mais de 10 vezes mais do que as sessões sem uso. Assim, o case mostra como resolver a dúvida sobre tamanho pode coincidir com uma diferença expressiva de conversão.

Case Osklen: ticket médio maior e meses sem devoluções

O impacto, no entanto, não se limita à conversão. A Osklen, por exemplo, também viu diferença no valor e no resultado dos pedidos feitos com o provador virtual. Após implementar o Size & Fit da Sizebay, os pedidos com a ferramenta tiveram ticket médio 18,9% maior e 27,4% mais itens.

Mais importante para a discussão sobre devoluções, a Osklen passou três meses seguidos sem devoluções nos pedidos feitos pelo provador virtual.

O que os dois cases mostram

Juntos, os dois cases ilustram partes diferentes do mesmo problema. Na METRO BRAZIL, a orientação personalizada de tamanho esteve associada a uma conversão mais de 10 vezes maior. Já na Osklen, os pedidos com a ferramenta tiveram ticket médio maior, mais itens e três meses sem devoluções.

Vale lembrar que esses são resultados específicos de cada case, e não referências universais. Afinal, o desempenho varia conforme o varejista, a categoria, a implementação e o comportamento do cliente. Ainda assim, os dois cases apontam para a mesma oportunidade. Quando o tamanho gera incerteza real, ajudar o cliente a decidir com segurança afeta o antes e o depois do checkout.

Considerando toda a base de clientes, a Sizebay reporta, em média, até 50% menos devoluções, conversão 5 vezes maior e 40% de recompra. Esses números representam resultados gerais e, portanto, não devem ser lidos como resultados dos cases METRO BRAZIL ou Osklen.

Leia também: Como reduzir trocas e devoluções no e-commerce de moda

Como medir o resultado real de uma promoção?

Como medir o resultado real de uma promoção

Em uma ação de promoção e desconto, mais pedidos nem sempre significam mais lucro. Por isso, o painel mais útil de uma promoção não é necessariamente o que mostra o maior número de pedidos.

Além disso, o gerente de e-commerce de moda precisa olhar para o que acontece depois da venda.

MétricaO que ela mostra
Taxa de conversãoSe a promoção está gerando compras
ReceitaQuanto volume de vendas a campanha cria
Ticket médioSe os clientes estão gastando mais por pedido
Taxa de devoluçãoQuanto dessa demanda está voltando
Taxa de devolução em pedidos promocionaisSe os pedidos com desconto se comportam de forma diferente
Motivo de devolução por SKU ou categoriaOnde tamanho, caimento ou expectativa estão gerando problemas
Margem após devoluçõesQuanto da rentabilidade a campanha realmente retém
Taxa de recompraSe quem comprou na promoção volta a comprar

Essas métricas conectam a vitrine da campanha com o que acontece depois dela.

Por exemplo, se a conversão sobe, mas as devoluções sobem mais rápido, os pedidos extras podem não gerar a receita que o painel sugeria.

Por outro lado, quando o cliente entende o produto e confia no tamanho, a promoção tende a gerar um pedido que não volta.

Leia também: Estratégias de vendas para impulsionar seu e-commerce de moda

Então, as marcas de moda devem continuar fazendo promoções?

Sim. Promoção e desconto continuam sendo ferramentas relevantes para a moda.

Afinal, as promoções criam urgência, giram estoque e geram demanda rapidamente. O problema é o que acontece quando essa demanda encontra uma experiência de compra que ainda deixa dúvidas sem resposta.

O preço pode levar o cliente a considerar a compra. Mas, se ele não consegue entender o produto, visualizá-lo no corpo ou escolher o tamanho com segurança, a promoção não elimina a incerteza.

Por isso, as marcas de moda devem avaliar suas promoções por mais do que pedidos, receita e conversão.

A pergunta mais importante é se a demanda gerada vira pedidos rentáveis, menos devoluções evitáveis e clientes confiantes para voltar.

Em resumo, promoções são feitas para criar urgência, e a experiência de compra precisa criar confiança. Quando as duas trabalham juntas, o desconto faz mais do que gerar outro pedido. Ele traz o cliente para a marca com uma compra que ele realmente quer manter.

Leia também: Como vender roupas online: aumente as vendas sem aumentar o investimento em anúncios

Fique por dentro do mundo da moda

Vamos conversar

Vamos conversar